Animais que comem formigas: mirmecofagia

15 Setembro, 2020
Animais comedores de formigas usam suas garras para fazer uma abertura no formigueiro e colocar seu focinho comprido, sua saliva pegajosa e sua língua eficiente para trabalhar.

Quando pensamos em animais que comem formigas, a primeira coisa que vem à mente é o tamanduá. No entanto, muitas outras espécies se alimentam desses insetos: pássaros, aracnídeos, lagartos, sapos e outros artrópodes, como besouros e outras formigas. Isso é chamado de mirmecofagia.

É surpreendente saber que as formigas são um alimento muito nutritivo:

  • Estudos mostram que, em relação ao volume, esse insetos possuem 32% mais proteínas do que a carne.
  • São uma fonte de fibras: as estruturas rígidas dos seus corpos fornecem fibras e micronutrientes que promovem a mobilidade digestiva e fortalecem a regeneração dos tecidos e da microbiota intestinal.

Portanto, não é surpreendente que muitos animais tenham feito desses invertebrados sua iguaria favorita. Continue lendo se quiser saber mais.

A mirmecofagia

Traduzida do grego, a palavra mirmecofagia significa literalmente “comer formigas”. No entanto, embora os cupins não sejam formigas, essa designação se estende aos comedores de cupins também.

Isso acontece porque os hábitos de vida entre os animais que comem formigas e os que comem cupins são semelhantes. Mas, ainda mais importante, as adaptações necessárias para o consumo de formigas e cupins são análogas.

Mirmecofagia
As formigas e os cupins são uma importante fonte de proteína facilmente acessível.

Um exemplo de evolução convergente

Em mamíferos, as espécies mirmecófagas desenvolveram uma série de adaptações que facilitam a captura das formigas. É interessante saber que animais de diferentes grupos taxonômicos desenvolveram essas adaptações. Isso pode ser observado em pelo menos cinco grupos ou linhagens independentes:

A família das Equidnas, pertencente à ordem dos monotremados:

São conhecidos por serem os únicos mamíferos que põem ovos. As equidnas são semelhantes em aparência aos ouriços, tirando o comprimento, pois têm penas grandes. Elas habitam as ilhas da Nova Guiné, Salawati, Austrália, Tasmânia e outras ilhas menores próximas à costa destas.

A família dos Thylacinidae, da ordem dos dasiuromorfos:

Essa família possui uma espécie única, o numbat (Myrmecobius fasciatus), um tamanduá-marsupial encontrado apenas em algumas áreas remotas do sudoeste australiano. É o animal do estado da Austrália Ocidental.

A família dos Manidae, da ordem dos folidotos:

Essa é uma ordem de mamíferos placentários cobertos por grandes escamas, popularmente conhecidos como pangolins. A ordem contém oito espécies vivas e habitam as regiões tropicais da África e da Ásia.

A família dos Orycteropodidae, da ordem do tubulidentata:

Também possui apenas uma espécie viva, o porco-formigueiro (Orycteropus afer). São mamíferos placentários muito primitivos parentes dos tenreques, elefantes e damão. Distribuem-se amplamente por toda a África Subsaariana.

A subordem dos vermilíngues, da ordem dos pilosos:

São conhecidos como tamanduás e são nativos da América Central e do Norte e do centro da América do Sul. Inclui duas famílias, Cyclopedidae (1 espécie) e Myrmecophagidae (3 espécies):

  • Tamanduá-cigarra (Cyclopes didactylus)
  • Tamanduá mexicana
  • Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)
  • Tamanduá-bandeira ( Myrmecophaga tridactyla )

Adaptações dos animais que comem formigas

Todas as espécies mirmecófagas apresentam uma série de adaptações que facilitam a captura de formigas e cupins:

  • A primeira é a redução ou perda de dentes em decorrência da adoção de uma dieta à base de presas moles.
  • A segunda é a adaptação oral, baseada no alongamento do focinho e na língua fina e pegajosa. Essa adaptação inclui a presença de grandes glândulas salivares.
  • Além disso, eles têm garras fortes que servem para escavar colinas de formigas e cupinzeiros.

A língua, essencial na mirmecofagia

Se considerarmos que um tamanduá-bandeira ingere cerca de 35.000 formigas ou cupins todos os dias, podemos imaginar que ele deve ter uma estratégia altamente eficaz.

E é isso mesmo que acontece! A língua deles tem uma organização de tecidos muscular e neurovascular muito peculiar, que difere do padrão usual de outros mamíferos.

Essas características permitem um manuseio extraordinário da língua. De fato, eles conseguem movimentá-la muito rapidamente, até 160 vezes por minuto. Além disso, ela é coberta por milhares de pequenos ganchos chamados de papilas filiformes, úteis para manter os insetos unidos com grandes quantidades de saliva.

A língua é essencial

Os animais que comem formigas estão ameaçados por causa de seu modo de vida?

Sem dúvida. Uma das principais ameaças enfrentadas pelos animais que se alimentam de formigas é a perda dos seus habitats e o declínio da população desses insetos tão importantes na cadeia alimentar. Normalmente, essa perda de biodiversidade decorre de incêndios e desmatamento.

Nota final sobre a mirmecofagia

Animais comedores de formigas são um exemplo de linhagens diferentes que alcançam as mesmas adaptações morfológicas e funcionais por meio de diferentes vias evolutivas. Essa descoberta não é totalmente surpreendente, uma vez que se sabe que os mamíferos primitivos eram inicialmente insetívoros.