Características do peixe esturjão-beluga

21 Agosto, 2020
O peixe esturjão-beluga é um dos animais que estão no planeta há milhares de anos e que, por causa do ser humano, está em perigo crítico de extinção.

Historicamente, o peixe esturjão-beluga (Huso huso) habitava as bacias dos mares Cáspio, Negro, Azov e Adriático. Essa espécie de peixe acipenseriforme foi extinta das duas últimas bacias por causa da pesca excessiva e da construção de barragens, que impedem o seu retorno à área superior dos rios para desovar.

As ovas são a principal característica do peixe esturjão-beluga. Essa é a razão para a sua perseguição durante séculos, praticamente levando-o à extinção. No entanto, sua carne não tem valor comercial.

Características

Anteriormente, o peixe esturjão-beluga era o maior esturjão da Europa. Chegava a mais de 1.000 kg de peso e podia medir mais de cinco metros de comprimento. No entanto, os indivíduos registrados atualmente não costumam pesar mais de 650 kg e medem menos de três metros. Os machos são menores que as fêmeas.

Acredita-se que a longevidade experimentada por esses animais era superior a 100 anos, mas, atualmente, o indivíduo mais longevo a ser capturado tinha ‘apenas’ 53 anos de idade.

O corpo do peixe esturjão-beluga é levemente achatado, com coloração cinza-esverdeada escura na parte dorsal do corpo e mais clara na barriga. Eles têm um focinho alongado e achatado, com o nariz voltado para cima, e apresentam ‘bigodes’ muito sensíveis que usam para detectar as presas sob o sedimento.

Reprodução do peixe esturjão-beluga

Uma vez que são animais muito longevos, não atingem a maturidade sexual até por volta dos 20 anos. Como consequência, esse também é um problema para a recuperação da espécie, poissão muitos anos de diferença entre uma geração e outra.

peixe esturjão-beluga

São animais anádromos, ou seja, passam parte das suas vidas no mar e retornam aos rios para se reproduzir. Os machos se reproduzem pela primeira vez quando têm entre 10 e 15 anos, enquanto as fêmeas se reproduzem mais tarde, entre os 15 e os 18 anos.

A desova ocorre a cada três ou quatro anos – de abril a junho – com os peixes migrando do mar um pouco antes. No entanto, alguns indivíduos migram no outono e, portanto, precisam permanecer nos rios até a primavera seguinte.

Quando os ovos eclodem, as pequenas larvas flutuam na superfície do rio durante uma semana, até se tornarem jovens peixes. Depois disso, os esturjões jovens se deslocam para o mar durante o verão e lá permanecem até atingirem a maturidade sexual.

As ameaças ao peixe esturjão-beluga

Se no passado esse peixe ocupava grandes áreas nos rios e mares de toda a Europa, atualmente isso não acontece mais. Essa espécie está em perigo crítico de extinção, de acordo com a UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza – e as suas populações continuam diminuindo.

peixe esturjão-beluga

As principais ameaças para a conservação dessa espécie são:

  • Pesca excessiva para fins comerciais. Por exemplo, é obtido couro a partir de sua pele e o seu caviar é usado em cosméticos e medicamentos. Seu intestino também é uma iguaria, sendo usado para preparar molhos e para a produção de gelatina, enquanto sua bexiga natatória é usada para a fabricação de cola.
  • Destruição de habitats e poluição dos rios. Esses animais precisam de águas limpas e claras para sobreviver.
  • Construção de barragens. Os esturjões precisam nadar contra a correnteza para chegar às áreas de reprodução. As barragens fragmentam seu território e impedem que eles cheguem ao seu destino, causando, assim, a morte desses animais.

Consequentemente, essa espécie está incluída no Anexo II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção) desde 1998. Atualmente, estão sendo realizados programas de repovoamento, embora a mortalidade infelizmente ainda seja alta e esses projetos pareçam não conseguir deter o declínio da espécie.

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  • Gesner, J., Chebanov, M. & Freyhof, J. 2010. Huso huso. The IUCN Red List of Threatened Species 2010: e.T10269A3187455.
  • Williot, P., Arlati, G., Chebanov, M., Gulyas, T., Kasimov, R., Kirschbaum, F., … & Kim, Y. (2002). Status and management of Eurasian sturgeon: an overview. International Review of Hydrobiology: A Journal Covering all Aspects of Limnology and Marine Biology, 87(5‐6), 483-506.