O cervo-de-topete (Elaphodus cephalophus)

06 Julho, 2020
Embora possa parecer estranho, as presas são uma característica comum de algumas espécies de cervos asiáticos. Vamos falar mais sobre esse assunto a seguir.
 

O cervo-de-topete ou eláfodo é um animal que parece ter saído diretamente de um bestiário medieval ou de alguma saga de fantasia. No entanto, ele existe. É muito impressionante que ele tenha presas mesmo sendo um animal herbívoro, assim como os outros cervos.

A seguir, vamos falar mais sobre essa peculiar espécie do leste asiático: quais são as suas principais características e por que seu habitat ainda está em estudo, apesar de alguns dados já serem conhecidos.

O cervo-de-topete, peculiar e real

Antes de falar sobre as características do cervo-de-topete, é importante observar um detalhe importante.

No passado, todos os cervos eram relativamente pequenos e apresentavam chifres e presas. Mas, devido às pressões evolutivas e à seleção natural, eles se separaram em dois grandes grupos: os cervos com chifres, que eram maiores, e os cervos com presas, de tamanho menor.

Entre estes últimos, também encontramos os cervos-latidores, o cervo-almiscarado-siberiano ou o veado-d’água-chinês.

O cervo-de-topete

Como estávamos comentando, o que realmente chama a atenção nesse pequeno ungulado são as duas presas que se projetam de sua boca. Elas podem ser bem longas, afiadas e grossas. No entanto, estão presentes apenas nos machos.

 

De acordo com estudos, essas presas são usadas para lutar contra outros machos em brigas ritualizadas que ocorrem durante o cortejo. Além disso, às vezes, basta mostrar as presas para que o outro macho fuja.

Não há evidências de que essas presas tenham algum tipo de propósito relacionado à alimentação. De fato, a dieta desse animal se baseia em herbáceas, frutas e bambu. Ou seja, o cervo-de-topete é um animal herbívoro.

As fêmeas dessa espécie não possuem presas e acredita-se que elas estejam presentes nos machos para que eles possam lutar contra seus concorrentes durante o cortejo.

Presas e outras características particulares

O cervo-de-topete é pequeno, possuindo entre 50 e 70 centímetros de altura na cernelha. Ainda assim, ele é maior do que as outras espécies do seu grupo. São magros e esbeltos, com grande variação de peso entre os espécimes, podendo pesar entre 17 e 50 kg.

Sua pelagem é grossa, composta por pelos curtos e rígidos, com uma coloração marrom bem escura durante o inverno e um pouco mais clara no verão. Na cabeça, apresentam longos tufos de pelo na testa com um característico formato de ferradura e mais escuros do que o restante do corpo.

O cervo-de-topete
Embora não seja possível ver por causa de sua pelagem, os machos dessa espécie também têm dois pequenos chifres na cabeça.
 

Reprodução do Elaphodus cephalophus

As fêmeas dos cervo-de-topete atingem a maturidade sexual entre 9 e 10 meses de idade. Nesse momento, elas entram no cio, o que geralmente ocorre no final do outono. Então, os machos começam o cortejo, que consiste em sons semelhantes a latidos e lutas ritualizadas com outros machos.

O primeiro parto geralmente ocorre quando as fêmeas têm cerca de um ano e meio de idade. Após uma gestação de 180 dias, em média, os filhotes nascem no final da primavera ou no início do verãoGeralmente, nasce apenas um filhote, embora às vezes nasçam dois.

O cervo-de-topete

Outras peculiaridades do cervo-de-topete

O cervo-de-topete geralmente é solitárioNo entanto, pode formar casais em algumas ocasiões, tanto na época do acasalamento quanto em outros momentos. 

Por outro lado, é um animal com hábitos crepusculares. É por esse motivo que é muito mais ativo quando há pouca luz no ambiente. Por exemplo, quando o sol está se pondo ou quando começa a nascer.

Seus territórios são bem definidos e, por isso, ele costuma vagar pelos mesmos caminhos. Além de circular pelos mesmos lugares, também deixa traços muito claros. Assim, infelizmente, é fácil que esse animal caia nas armadilhas deixadas por humanos.

 

O habitat preferencial do cervo-de-topete ainda está em estudo. Apesar disso, sabe-se que esses animais preferem florestas úmidas e de folhas grandes. Eles mantêm seu território próximo a cursos de água e onde há alimento disponível.

Embora se saiba que essa espécie é nativa da China e que atualmente habita o centro e o sul do país, há registros de sua existência na Birmânia. No entanto, nenhum indivíduo foi encontrado no momento. Talvez isso ocorra porque eles ocupem uma região muito limitada, isolada e de altitude elevada.

 
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