Saiba mais sobre a dermatite solar em animais de estimação

15 Novembro, 2020
A dermatite solar é a inflamação da pele que foi exposta à radiação solar. Não é um problema exclusivamente humano, pois os animais de estimação também sofrem com isso.

Embora o banho de sol seja divertido, pecar pelo excesso não é saudável. A reação da pele à exposição excessiva a essas radiações é o que conhecemos como dermatite solar. Em animais de estimação, a intensidade das lesões cutâneas causadas dependerá do tempo de exposição, do tempo, do clima, da latitude e do grau de pigmentação da pele do animal.

É comum constatar que, como as pessoas, os animais de estimação gostam do sol. Embora muitos animais gostem de se deitar felizes e se sentir aquecidos, seus responsáveis ​​têm a responsabilidade de mantê-los seguros. Nesse sentido, compreender a extensão dos danos das queimaduras solares é o primeiro passo para preveni-las.

Por que o sol pode fazer mal?

Antes de falar sobre os malefícios, devemos destacar que tomar banhos de sol curtos e no horário apropriado traz efeitos benéficos para os animais de estimação. Por outro lado, é importante saber que, além da luz visível, o espectro solar contém radiação infravermelha (IV) e ultravioleta (UV).

As queimaduras solares na pele resultam da exposição aos raios ultravioleta do sol, que danificam os queratinócitos.

Um fato importante a se ter em mente é que os efeitos nocivos da radiação UV são cumulativos. Por essa razão, danos prolongados e repetidos do sol levam a efeitos progressivamente mais graves.

Por outro lado, a presença da melanina, o pigmento que escurece a pele, absorve até 45% dos raios ultravioleta e ajuda a prevenir os danos solares.

Por que o sol pode fazer mal?

Na dermatite solar, são induzidos danos celulares significativos

Está comprovado que a radiação UV induz danos oxidativos às membranas celulares, mutações no DNA e alterações na síntese de proteínas estruturais. Como resultado, uma reação inflamatória e ativação anormal das células da pele são estabelecidas.

No início, a pele fica áspera e vermelha, mas depois o tecido danificado se espalha como manchas grossas de pele. Se o dano ocorrer repetidamente, podem aparecer lesões que evoluem para o câncer de pele. Gradualmente, elas podem levar ao carcinoma de células escamosas invasivo que se espalha para os gânglios linfáticos.

Como reconhecer as lesões?

Infelizmente, a dermatite solar às vezes pode simular outras doenças de pele, como alergias ou pioderma. Por esse motivo, é comum não reconhecer ou tratar as lesões até que um dano irreversível ou câncer de pele tenha se desenvolvido.

É pertinente observar que, embora os cães e gatos tendam a lamber qualquer área machucada, a coceira ou o prurido associado à dermatite solar costuma ser mínima, ao contrário da dermatite alérgica. Também é possível que a pele sofra simultaneamente de dermatite solar e alérgica.

Na dermatite, a pelagem branca se torna irregular e a pele por baixo se torna vermelha e irritada. Se o animal tiver manchas de pelo branco e escuro, nas áreas escuras a pelagem fica normal, sem perda de pelo irregular, e a pele por baixo não fica inflamada. Assim, ao passar os dedos sobre a pele, o tutor pode sentir a diferença na textura, já que a pelagem colorida protege do sol.

As lesões aparecem em algumas áreas preferidas

Os danos causados ​​pelo sol geralmente ocorrem em áreas não pigmentadas e com pelos finos, como o flanco, a barriga, a virilha e as áreas axilares, orelhas e nariz, embora também possam aparecer em outras áreas. Em animais de estimação que preferem deitar de um lado do corpo, as lesões podem ser piores no lado mais exposto.

A progressão dos danos do sol na pele do animal de estimação

A progressão dos danos do sol na derme do animal se manifesta da seguinte forma:

  • Os sinais iniciais de dermatite solar são lesões vermelhas inflamadas, que podem ser sensíveis ao toque.
  • Se a pele sofrer queimaduras solares repetidas, ocorrerá a foliculite, lesões dos folículos capilares a partir dos quais o cabelo cresce, daí seu nome. As lesões podem ser menores se forem superficiais ou mais graves se forem profundas.
  • Com a exposição crônica ao sol, as áreas danificadas engrossam e cicatrizam como manchas com cravos, erosões, úlceras, crostas e vias de drenagem. A infecção bacteriana secundária ou pioderma é comum.
  • Isso pode ocorrer em tumores de pele induzidos pelo sol, como carcinoma de células escamosas, hemangioma cutâneo e hemangiossarcoma.

Quais animais correm mais risco?

A dermatite solar é um distúrbio comum em animais de estimação que vivem ou passam o verão em climas quentes e ensolarados. Também pode afetar animais que vivem em grandes altitudes ou passam muito tempo ao ar livre, mesmo em áreas temperadas.

Em geral, cães e gatos com doenças ou defeitos genéticos que causam alopecia ou enfraquecimento da pelagem correm maior risco. Esse é o caso daqueles que sofrem com infestação por pulgas ou infecções fúngicas.

Animais de estimação com doenças crônicas de pele, como dermatite atópica, também são vulneráveis. Além disso, cirurgias que deixam áreas da pele expostas, devido ao corte cirúrgico, permitem queimaduras solares se não forem protegidas.

Os cães que sofrem de doenças autoimunes devem ser submetidos a um monitoramento cuidadoso de sua exposição ao sol, devido ao risco de agravar as condições existentes. As raças de cães com maior sensibilidade a queimaduras solares incluem: dogo argentino, bulldog branco, boxer branco, dálmata, beagle e greyhound.

Diagnóstico de dermatite solar

Em geral, o diagnóstico da dermatite é feito pelos sintomas clínicos do paciente e pela exclusão de outras causas de dermatite, como infecções fúngicas ou bacterianas. Um motivo de suspeita é que as lesões cutâneas não melhoram com a terapia empírica.

Em última análise, a biópsia da pele e seu exame histológico são as ferramentas para diagnosticar a dermatite solar que não cicatriza e a neoplasia induzida pelo sol. Uma infecção bacteriana secundária pode se desenvolver, portanto, antibióticos sistêmicos podem ser indicados por duas a três semanas antes da biópsia.

Nesses casos, é fundamental incluir um histórico completo do animal, incluindo o grau de exposição ao sol, a distribuição das lesões, a descrição clínica das lesões, resposta ou falta de resposta a terapias anteriores.

Também é importante indicar tratamentos medicamentosos atuais (incluindo glicocorticoides) que podem afetar as descobertas histológicas. Recomenda-se solicitar uma descrição histológica completa e buscar a interpretação de um dermatologista veterinário.

Tratamento

Sem dúvida, o melhor tratamento para a dermatite solar em animais de estimação é a prevenção. É necessário divulgar adequadamente aos tutores ​​a necessidade de evitar o sol desde cedo. É importante ressaltar que nenhum medicamento oral ou tópico pode substituir a prevenção da exposição nociva ao sol.

Recomendações para evitar a dermatite solar em animais de estimação

A principal recomendação é restringir a exposição ao sol mantendo os animais de estimação dentro de casa entre as nove da manhã e as três da tarde. Se alguma exposição ao sol for inevitável, então a aplicação tópica de um filtro solar resistente à água com alto fator de proteção solar é indicada.

É importante não usar produtos humanos, pois contêm óxido de zinco e ácido 4-aminobenzóico (PABA), que podem ser tóxicos se o animal se lamber. Filtro solar exclusivo para uso canino pode ser encontrado em muitos estabelecimentos.

Os gatos também devem evitar protetor solar que contenha octisalato ou acetilsalicilato, uma substância semelhante à aspirina que pode ser tóxica se ingerida. Na verdade, não existem filtros solares especificamente formulados e seguros para gatos.

Roupas de sol para cães e até mesmo uma camiseta são melhores do que nada. Os buracos dos braços podem ser cortados de forma a cobrir bem a barriga e as costas. Contudo, infelizmente, isso deixará as patas vulneráveis.

Tratamento

Como podemos ver, a dermatite solar é uma doença difícil de diagnosticar e tratar quando ela ocorre. Portanto, a prevenção será sempre a melhor aliada para evitar esse tipo de problema de pele nos animais de estimação.