O que é edema pulmonar em cães?

07 Outubro, 2020
Às vezes, muitos processos patológicos estão relacionados a distúrbios em vários sistemas orgânicos. É o caso do edema pulmonar, condição relativamente frequente e com múltiplas causas possíveis.

A tosse do cão pode ocultar muitas condições. Algumas estão relacionados a distúrbios que ocorrem exclusivamente no parênquima pulmonar, como os processos inflamatórios. Outras, por outro lado, embora tenham uma consequência direta no pulmão, podem ser decorrentes de alterações em outro sistema.

Já sabemos que o equilíbrio em que o corpo se mantém é muito delicado. Portanto, uma pequena patologia em um sistema ou órgão pode produzir consequências em outro. Nesse caso, vamos falar sobre edema pulmonar em cães.

Definição de edema pulmonar

Muitos leitores estarão familiarizados com a palavra edema, não enema, pois é um termo frequentemente usado para descrever um acúmulo patológico de fluido em alguns tecidos do corpo.

No caso específico do edema pulmonar, refere-se ao acúmulo de líquido no tecido pulmonar, nos espaços alveolares e intersticiais.

Como podemos saber se nosso cão tem um edema pulmonar?

O diagnóstico de um edema pulmonar deve ser sempre feito por um médico veterinário, por meio de técnicas de diagnóstico por imagem, geralmente radiografias.

O diagnóstico presuntivo pela observação dos sintomas costuma ser difícil, já que o sistema respiratório tem uma variedade sintomática relativamente limitada e muitos processos patológicos compartilham os mesmos sintomas.

Em geral, o cão pode apresentar:

  • Tosse, mais frequente depois de passar muito tempo deitado. Depois de ficar muito tempo nessa posição, o líquido do pulmão, por gravidade, “se instala”, o que provoca o agravamento desse sintoma.
  • Dificuldade respiratória. Podemos observar como o cão adota posições anormais para respirar, podendo até produzir sons respiratórios anormais.
  • Secreções espumosas de coloração rosada do nariz ou da boca.

Por que acontece?

Para explicar as alterações que podem causar um edema pulmonar, vamos dividir a classificação em duas seções, edema pulmonar cardiogênico e edema pulmonar não cardiogênico.

Edema pulmonar cardiogênico

É produzido por um distúrbio primário localizado no sistema circulatório. Em pulmões normais, o fluido sai dos capilares pulmonares para o espaço intersticial e retorna à circulação através dos vasos linfáticos pulmonares.

Todo esse processo depende da pressão circulatória, portanto, quando ocorre uma alteração em tal pressão, exala mais líquido do que é capaz de coletar, causando consequentemente o edema pulmonar.

As possíveis causas de edema pulmonar cardiogênico são:

  • Todos os tipos de cardiopatias, como doenças cardíacas dilatadas ou restritivas.
  • Ducto arteriovenoso persistente.
  • Problemas nas válvulas cardíacas, como endocardiose da válvula mitral.

Edema pulmonar não cardiogênico

Esse tipo de edema pulmonar ocorre quando há um acúmulo anormal de líquido no tecido dos pulmões na ausência de doença cardíaca. Ou seja, quando não é do primeiro tipo, é do segundo.

São vários os mecanismos envolvidos no desenvolvimento desse tipo de edema, mas estão relacionados ao aumento da permeabilidade vascular pulmonar, o que permite que o líquido escape para o interstício e os alvéolos.

Em geral, algumas das causas desse tipo de edema podem ser:

Tratamento

Os edemas cardiogênicos geralmente são os mais comuns. O tratamento geralmente tem como objetivo tratar a causa primária, ou seja, a doença cardíaca.

Por outro lado, para acelerar a absorção e eliminação desse líquido intersticial, o uso de diuréticos pode ser recomendado. Na verdade, a administração desse tipo de medicamento costuma ser indicada para a maioria dos cães que sofrem de doenças cardíacas.

Os edemas não cardiogênicos, menos frequentes, costumam reduzir com a eliminação única da causa primária, sempre que possível.