Emergências comuns durante a gestação em cadelas

10 Novembro, 2020
Prestar atenção aos animais de estimação sempre é importante, mas, durante a gestação, esses cuidados devem ser exaustivos para evitar os riscos associados a um período tão delicado.

O período de gestação em cadelas é um dos mais críticos e, por isso, a atenção permanente ao estado de saúde do animal é indispensável. Durante esses dois meses, podem ocorrer todos os tipos de situações que colocam em risco a integridade do aparelho reprodutor da fêmea, mas também podem ocorrer emergências que ameaçam a vida dela e a dos filhotes.

Por todos esses motivos, achamos essencial informar os leitores sobre as emergências comuns durante a gestação em cadelas. Como geralmente se diz, é melhor prevenir do que remediar.

Hipocalcemia

Essa queda do cálcio no sangue provavelmente é causada pelo acúmulo desse nutriente no leite, em função da lactação. No entanto, deve estar acompanhada de uma baixa disponibilidade de cálcio na dieta para chegar a se tornar um verdadeiro problema.

Sintomatologia

A deficiência de cálcio no sangue supõe a sua diminuição nas membranas celulares, alterando o potencial da membrana. Os primeiros sintomas gerados são inquietação, respiração ofegante, espasmos musculares e hipertermia. Se não forem tratados a tempo, é desencadeada uma tetania de emergência (contração rígida e contínua dos músculos), produzindo a morte.

Tratamento

O objetivo a curto prazo é restaurar os níveis de cálcio no sangue. Por exemplo, por meio da administração intravenosa de soluções específicas na clínica veterinária.

O efeito dessa administração intravenosa dura apenas algumas horas, portanto, é necessária uma terapia de manutenção de curto prazo. Por essa razão, a suplementação de cálcio é recomendada no final da gravidez e durante a amamentação, para prevenir e evitar recaídas.

Emergências comuns durante a gestação em cadelas

Hiperglicemia

O aumento da progesterona no sangue tem um efeito antagônico sobre a insulina, favorecendo o aparecimento da hiperglicemia. Dessa forma, o transporte de glicose para o interior das células é reduzido. É por isso que se fala em diabetes gestacional em cadelas.

Gestação prolongada

Uma gestação mais longa do que o normal é uma preocupação comum para muitos tutores quando o parto atrasa. Em alguns casos, o medo é infundado porque o suposto atraso se deve a uma discrepância na contagem entre o dia do acasalamento e o dia do parto.

Ainda assim, em outras situações, há um fundo patológico. Por exemplo, uma cadela cujo parto anterior foi distócico ou uma cadela considerada como gestante pelo tutor, mas que, na verdade, não está grávida.

Sintomas e tratamento

Em alarmes falsos, a ausência de sintomas deve nos dar uma pista de que, na verdade, tudo está indo bem. Mas, nos outros casos, serão observadas as consequências da inércia uterina (incapacidade do útero para iniciar as contrações).

Se os fetos não forem expulsos adequadamente, eles morrerão dentro do útero e começarão a se decompor. Isso vai desencadear uma infecção grave na mãe, que apresentará uma secreção vulvar anormal e malcheirosa.

O melhor tratamento será a cesariana para retirar os fetos retidos e evitar complicações para a fêmea.

A pior das emergências durante a gestação em cadelas: a distocia

Um parto distócico é um parto lento, trabalhoso e mais difícil do que o normal. Em muitos casos, isso complica a sobrevivência da fêmea e dos filhotes. De forma simplificada, a distocia pode ser classificada como:

  • Não obstrutiva, isto é, causada pela inércia uterina primária. Comum em mães com ninhadas muito pequenas ou muito grandes, mas também em cadelas obesas ou mães de primeira viagem.
  • Obstrutiva. Nesse caso, a inércia uterina ocorre secundariamente, por uma causa extrauterina. Isso pode estar relacionado com a raça, com lesões anteriores na mãe ou até mesmo com os fetos.

Sintomatologia

Na distocia não obstrutiva, os sintomas são os de uma gestação prolongada, com a peculiaridade de que o trabalho de parto costuma ter início. O problema é que não há progressos e a cadela fica presa na fase de dilatação.

Em caso de distocia obstrutiva, a fêmea entra no segundo estágio do trabalho de parto (o estágio de expulsão) e continua a fazer força sem resultados. Se o esforço do animal for improdutivo durante mais de 45 minutos, deve-se considerar que algo está errado e procurar o veterinário.

Tratamento

As fêmeas com inércia uterina primária podem responder positivamente à administração de ocitocina exógena. Esse hormônio é responsável, em um parto normal, por causar as contrações uterinas. No entanto, se a causa não estiver totalmente clara, a condição do animal e dos fetos deve ser avaliada minuciosamente antes que isso seja proposto.

Pode ser preferível fazer uma cesariana em uma cadela que está esperando muitos filhotes e está debilitada, porque pode não resistir ao trabalho de parto.

Em fêmeas com distocia obstrutiva, o principal objetivo do tratamento será remover a obstrução:

  • Se a obstrução for causada por uma postura fetal anormal, ela pode ser corrigida por meio da manipulação do feto.
  • Se a distocia for causada por uma anormalidade fetal ou materna, talvez não seja possível corrigi-la para permitir um parto normal. Nesse caso, também será necessária uma cesárea.
Emergências comuns durante a gestação em cadelas

Conforme vimos nessas linhas, as complicações no parto de cadelas podem ser diversas e com causas muito diferentes. Portanto, diante de qualquer situação atípica durante esse delicado processo, a ida ao veterinário se torna fundamental.

  • Martí Angulo S. La distocia en la perra | PortalVeterinaria [Internet]. Portalveterinaria.com. [cited 5 June 2020]. Available from: https://www.portalveterinaria.com/articoli/articulos/28006/la-distocia-en-la-perra.html#:~:text=La%20inercia%20uterina%20primaria%20se,2%2C%20o%20fase%20de%20expulsi%C3%B3n.
  • King L, Boag A. BSAVA manual of canine and feline emergency and critical care. 2nd ed.