Iaque: o touro doméstico

06 Setembro, 2020
Conheça o iaque, o touro do Tibete que vive a mais de 3.000 metros de altitude.

O iaque é um tipo de touro que vive nas grandes altitudes do Tibete, entre 4.000 e 6.000 metros de altitude, onde é encontrado tanto em estado selvagem quanto domesticado.

A UICN considera o iaque uma espécie em estado vulnerável e as áreas onde ele vive são protegidas.

O iaque é uma espécie domesticada?

O iaque é um grande mamífero herbívoro, da família dos bovídeos (vacas e touros). Sua pelagem é muito abundante e lanosa: ela o protege das baixas temperaturas tibetanas que, durante o inverno, atingem os 40 °C abaixo de zero.

Durante a primavera e o verão, sua pelagem perde espessura e se torna mais brilhante.

Os iaques podem pesar até 1.000 kg na natureza e medir quase dois metros de altura, enquanto os indivíduos domésticos geralmente são menores. Os machos são quase duas vezes maiores do que as fêmeas.

Eles têm um corpo alongado, com uma corcova na altura dos ombros e chifres curvados para cima e para dentro, com aproximadamente um metro de comprimento e de 15 a 20 centímetros de diâmetro.

Atualmente, restam poucos espécimes selvagens. Afinal, a maioria deles são animais domésticos que fornecem carne, leite, lã e até mesmo proteção aos tibetanos.

O iaque também é usado como um animal de montaria e de carga, pois pode transportar 150 kg de carga durante as escaladas. Seu leite é muito rico em gordura e, com ele, são produzidos queijos e manteiga.

Iaque: o touro doméstico

Sua lã é longa e áspera, usada pelos tibetanos para fazer cobertores para que possam se aquecer. Até mesmo o seu estrume é aproveitado como combustível.

Portanto, o iaque é crucial para a sobrevivência das populações do Tibete, e as famílias locais enfeitam seus animais com fitas coloridas para diferenciá-los.

Como ele vive?

O iaque é um animal gregário que forma rebanhos de fêmeas, filhotes e animais jovens nos quais há, no máximo, um ou dois machos. Durante a época do acasalamento, os machos competem entre si brigando e rosnando pelas fêmeas, que se reproduzem apenas duas vezes por ano.

Seu principal alimento são as plantas, os juncos perenes das regiões montanhosas asiáticas. Assim, os rebanhos migram para as áreas de pastagem mais abundantes entre as estações do ano.

Por causa do seu grande tamanho, o iaque não possui predadores naturais nessas latitudes. O ser humano é a espécie que o utiliza para consumo. Quando morrem, tornam-se uma enorme quantidade de alimento para espécies necrófagas como, por exemplo, o abutre-barbudo.

Iaque: o touro doméstico

No entanto, filhotes e animais jovens podem ser atacados por alcateias de lobos e, por essa razão, eles permanecem protegidos no centro do rebanho.

Comportamento do iaque

Esse enorme touro é mais ativo no nascer e no pôr do sol. Além disso, vale destacar que ele é um bom alpinista, pois se move facilmente em terrenos rochosos e acidentados, cobertos de neve.

Durante uma tempestade, os iaques se amontoam para se proteger da neve e do frio e colocam os bezerros no centro.

A personalidade do iaque permitiu a sua domesticação, que remonta a mais de 3.000 anosÉ muito comum ver cruzamentos de iaques com vacas que têm como resultado indivíduos férteis com maior produção de leite e gordura. De fato, é por isso que há diferenças físicas entre os iaques selvagens e os domésticos.

Curiosidades sobre os iaques

O iaque, ao contrário do restante dos bovídeos, possui um par adicional de costelas que protegem um coração e pulmões maiores como uma adaptação aos baixos níveis de oxigênio das grandes altitudes tibetanas.

Iaque: o touro doméstico

Eles também têm menos glândulas sudoríparas, o que ajuda a evitar a perda de calor através da transpiração. Tanto é assim que às vezes eles escalam até altitudes mais altas durante o verão apenas para que possam se refrescar. Além disso, também gostam de água e costumam tomar banho em lagos.

  • The Yak. Second edition. Published by the Regional Office for Asia and the Pacific
    Food and Agriculture Organization of the United Nations, Bangkok, Thailand, 2003.