Ibuprofeno e paracetamol em cães: precauções importantes

27 Dezembro, 2019
Antes de pensar em aplicar qualquer dose de ibuprofeno e paracetamol em cães, consulte o seu veterinário.
 

Muitas pessoas se perguntam se podem dar os seus medicamentos “humanos” aos animais de estimação. Mais especificamente, elas querem saber mais sobre o uso do ibuprofeno e do paracetamol em cães.

Esses remédios são permitidos para cachorros? Quais consequências podem ter para o animal? Eles servem para curar as suas doenças? Neste artigo, responderemos a essas perguntas.

Ibuprofeno e paracetamol em cães: sim ou não?

Como primeiro passo, você deve saber que medicar animais sem conhecimento é um erro. Antes de iniciar qualquer tratamento, você deve consultar um veterinário. Não é necessário que você vá à uma consulta; atualmente, alguns profissionais podem prescrever a medicação através de uma ligação telefônica.

Embora existam alguns veterinários que aceitem administrar ibuprofeno e paracetamol em cães, a dose deve ser muito baixa e sempre levando em consideração o peso do animal. Afinal, a medicação para um pastor alemão não é a mesma que para um poodle toy.

O problema é que o ibuprofeno, um medicamento presente na maioria dos lares, encabeça a lista de remédios letais e tóxicos para os cães. A margem entre fazer o bem e causar a morte é muito estreita.

Até 8 miligramas são inofensivos, mas se passarmos um pouco disso, pode ocorrer vômito, perda de apetite, fraqueza e letargia. Se, por algum motivo, o animal ingerir 600 miligramas, a dose será mortal.

Medicamentos para cães
 

Além disso, o uso prolongado desses medicamentos em animais de estimação – mesmo com a dose adequada – causa úlceras gástricas e perfurações no estômago ou no intestino. O sangramento gastrointestinal é um dos graves danos que o cão pode sofrer se consumir ibuprofeno periodicamente.

Atenção à ingestão acidental de ibuprofeno e paracetamol em cães

Obviamente, além de não darmos medicamentos aos nossos animais de estimação sem a orientação veterinária, também devemos prestar atenção à ingestão acidental: se você tiver um filhote em casa, ele pode consumir os remédios por pensar que os mesmos são doces.

Provavelmente, a primeira reação do corpo do animal será vomitar e eliminar os compostos químicos presentes nos comprimidos, mas, mesmo que isso aconteça, ele não conseguirá excretá-los completamente.

Também pode ser que o animal coma grama ou plantas para tentar se purificar… embora isso também não seja 100% eficaz.

Se um cão comer um comprimido de ibuprofeno ou paracetamol  – ou algumas pílulas – por negligência dos donos – ele apresentará um ou mais destes sintomas:

  • Sonolência
  • Fraqueza
  • Fragilidade
  • Cansaço
  • Vômito
  • Diarreia
  • Distensão abdominal (barriga inchada)
  • Cólica
  • Salivação excessiva
  • Dificuldade respiratória
  • Dor de estômago

Assim como nas casas onde há criançasé muito importante armazenar os medicamentos em locais de difícil acesso, com fechaduras ou chaves, e nunca ao nível do solo. Não os deixe sobre a mesa, mesa de cabeceira ou bancada da cozinha.

 
Cachorro recebendo comprimido

Se você perceber que seu cão foi envenenado com qualquer medicamento, deve levá-lo imediatamente ao veterinário para realizar o tratamento apropriado que lhe permita excretar os compostos químicos das pílulas.

Alguns exemplos de condutas são induzir o vômito, fazer uma transfusão de sangue ou fornecer certos líquidos por via intravenosa para equilibrar a sua saúde e minimizar os efeitos do ibuprofeno ou do paracetamol.

Os animais de estimação podem tomar remédios para seres humanos?

Esta é uma pergunta que muitos donos fazem. Embora alguns veterinários prescrevam medicamentos ‘humanos’ para os animais de estimação, estes só são recomendados em certas situações muito específicas, ou quando não é possível encontrar o remédio ideal para os animais.

Um dos principais problemas é a automedicação de animais de estimação: o uso indiscriminado de ibuprofeno e paracetamol em cães porque os donos acreditam que farão bem ao animal. A bula não inclui informações para os animais, nem doses adequadas ou recomendadas.

Também não podemos cometer o erro de comparar um cão com uma criança e usar versões infantis dos medicamentos – com base no peso do animal, por exemplo – porque esses medicamentos, embora mais suaves do que os dos adultos, também possuem substâncias que podem ser tóxicas para os animais de estimação.

 

Portanto, nada de oferecer pílulas aos nossos cães ou gatos sem a supervisão de um veterinário. Isso pode até ser mortal para o seu melhor amigo!

Traversa Arguedas, C. (2012). Capitulo III: Desordenes gastrointestinales en caninos y felinos. In Medicina Interna de Animales Menores.