Insetos que se disfarçam, especialistas na arte da camuflagem

01 Julho, 2020
O mundo dos insetos está cheio de curiosidades em miniatura, e o mais impressionante é que algumas dessas curiosidades se escondem melhor do que outras.
 

Os fasmídeos são animais extremamente habilidosos na arte da camuflagem e do mimetismo. Se isso não for indicativo de que eles são insetos que se disfarçam, especialistas em passar despercebidos, o que mais poderia ser?

O termo “fasmídeos” compartilha sua origem com a palavra “fantasma”. Mais especificamente, é um termo que vem do grego antigo (phasma) e significa “aparição” ou “espírito”.

Tendo em vista seu nome e suas habilidades, vale a pena perguntar: será que a camuflagem é o seu único mecanismo de sobrevivência? O que eles fazem para que os seus métodos sejam tão eficazes?

Quem são esses insetos que se disfarçam?

Anteriormente classificados na ordem dos ortópteros (gafanhotos e grilos), agora eles têm a própria ordem, a dos fasmídeos. Conhecidos popularmente como “bichos-pau” ou “bichos-folha”, esses insetos constituem um grupo com mais de 3.000 espécies. A maioria das espécies é tropical, embora também existam algumas de climas temperados.

Por que se diz que eles têm habilidade na arte da camuflagem?

Eles são conhecidos como insetos que se disfarçam por causa da capacidade que têm de se misturar à paisagem. Esses animais se camuflam através de cores e formatos do corpo, além de comportamentos, que fazem com que passem despercebidos pelos sentidos dos outros animais.

Além disso, a maioria dos fasmídeos é noturna e permanece imóvel durante o dia, tornando sua detecção ainda mais difícil.

Insetos que se disfarçam
 

Graças a esses mecanismos, eles são confundidos com a vegetação ao redor e conseguem evitar, em grande parte, os predadores.

Além dessa crípse, eles também têm outras habilidades defensivas contra os inimigos. Por exemplo, por meio de estruturas de cores vivas nas asas que, quando desdobradas, proporcionam uma certa aparência ameaçadora.

Se ainda assim forem detectados por um predador, eles podem recorrer à tanatose. Ou seja, a técnica de se fingir de morto. Assim, conseguem parecer menos palatáveis ​​para o predador, fazendo com que eles acreditem que existe o risco de contrair uma doença.

Por outro lado, como último recurso, quando são pegos por um predador, podem soltar algum de seus membros para confundi-lo.

Todos os insetos que se disfarçam são iguais?

Não, nem todos os insetos que se disfarçam são iguais. De fato, existem três tipos bem diferenciados:

  • os bichos-pau, de corpo alongado, cilíndrico, que lembram pequenos galhos, tanto em termos de cor quanto de forma.
  • os bichos-folha, de corpo largo, achatado, com expansões laminares nas patas, semelhantes às folhas.
  • e os bichos-casca, com um corpo robusto e, às vezes, com protuberâncias em forma de pequenos espinhos no corpo, que lhes conferem relevo.

Além disso, existe uma variabilidade de espécies tão grande que, entre os fasmídeos, estão os maiores (Phobaeticus chani) e mais pesados (Heteropteryx dilatata) insetos ​​do mundo.

Os fasmídeos da Península Ibérica

Leptynia hispanica é o bicho-pau ibérico por excelência, e não excede 5 centímetros de comprimento na fase adulta. Seu corpo é atravessado longitudinalmente por uma linha branca sobre um fundo verde ou cinza acastanhado.

 
Insetos que se disfarçam

Sua área de distribuição inclui a maioria dos países do Mediterrâneo, porque é neles que está localizada sua fonte de alimento, a giesteira-das-vassouras.

Outro dos gêneros que abundam na península é o Pijnackeria spp., também distribuído pelo sudeste da França. E, novamente, esses são bichos-pau esverdeados, talvez um pouco menores do que os anteriores.

Insetos que se disfarçam: um caso especial

A maioria das espécies de fasmídeos se reproduz sexualmente, embora a partenogênese também possa ocorrer em alguns casos. Mas esse processo não é habitual, pois supõe uma diminuição na variabilidade genética das espécies.

Entretanto, dizem que há um tipo de bicho-pau que não se reproduz sexualmente há um milhão de anos. Trata-se do bicho-pau de Timema (Timema dorotheae).

Cientistas da Universidade Simon Fraser, no Canadá, estudaram seu DNA e descobriram uma longa história de reprodução assexuada nessa espécie. Esses bichos-pau são capazes de criar clones genéticos de si mesmos e, assim, produzir descendentes.

A reprodução assexuada tem a vantagem de permitir um rápido crescimento populacional. Porém, a maior desvantagem é que, uma vez que são clones idênticos, os genes também são idênticos e, assim, não há evolução.

 

Especialistas em camuflagem: essenciais para a biodiversidade

Os animais que são especialistas na arte da camuflagem geralmente despertam paixões entre os especialistas em animais por causa da curiosidade que geram.

Eles são difíceis de detectar na natureza e, portanto, difíceis de estudar e identificar. É por isso que são escolhidos como objeto de vários estudos ainda hoje, quando já há bastante informação disponível a seu respeito.

É interessante despertar a curiosidade dos mais jovens por esses e por outros insetos, uma vez que são animais que, injustamente, são alvo de muita antipatia. Não percebemos que, ao protegê-los e preservá-los, ajudamos a manter vivo o planeta e a sua biodiversidade.

 
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  • Leptynia hispanica | Animalandia. [Internet]. Animalandia.educa.madrid.org. [cited 29 February 2020]. Available from: http://animalandia.educa.madrid.org/ficha.php?id=4196
  • Schwander T, Henry L, Crespi B. Molecular Evidence for Ancient Asexuality in Timema Stick Insects. Current Biology [Internet]. 2011 [cited 29 February 2020];(13):P1129-1134. Available from: https://www.cell.com/current-biology/fulltext/S0960-9822(11)00553-7
  • Pérez Más E. Insectos. [Barcelona]: Bruguera; 1978.