Juparás: comportamento e habitat

10 Setembro, 2020
Os juparás também são conhecidos como ursos do mel, pois escalam as árvores em busca de mel e frutas tropicais. Descubra as características desse curioso mamífero de hábitos noturnos.

Os juparás são pequenos mamíferos escaladores de hábitos noturnos. Na natureza, eles passam a maior parte do tempo na copa das árvores.

Embora de certa forma se pareçam com macacos, na verdade, os juparás estão mais intimamente relacionados com guaxinins, quatis e pandas vermelhos.

O jupará pode coletar frutas e mel usando sua língua comprida enquanto escala as árvores. Foi assim que ele recebeu o apelido de urso do mel. Além disso, também é conhecido por vários outros nomes: gatiara, macaco da noite, gogó-de-sola, janaú, macaco plantador. E seu nome científico é Potos flavus.

Características gerais

Esse animal é um membro incomum da família do guaxinim, sendo a única espécie do gênero Potos. O jupará se distingue por sua cauda longa e preênsil, focinho curto e orelhas baixas e arredondadas.

O animal usa a cauda preênsil como uma ‘quinta mão’ durante a escalada. No entanto, não a usa para pegar a comida. Uma peculiaridade é que, enquanto ele se move, sua coluna pode girar 180 graus do quadril ao pescoço.

Embora o jupará tenha parentesco com o guaxinim, sua aparência, seu comportamento e sua ecologia são mais semelhantes aos de um primata. De fato, o jupará foi originalmente descrito para a comunidade científica como um lêmure.

Eles têm pelagem macia, cinza ou marrom dourado, olhos grandes e um rosto pequeno e arredondado. Seus olhos são refletem bastante a luz, parecendo uma sombra brilhante de olhos cor de laranja. Esse animais podem virar os pés para trás, facilitando, assim, a tarefa de escalar em árvores.

O tamanho do jupará varia um pouco entre as subespécies, mas, em geral, o comprimento do seu corpo é inferior a 61 centímetros, excluindo a cauda, que tem entre 40 e 57 centímetros. Em geral, o peso do adulto varia de 2 a 3,2 quilos.

Juparás: comportamento e habitat

Um jupará vive de 20 a 25 anos, em média. No entanto, já foram registrados exemplares com mais de 40 anos de vida.

Habitat e hábitos dos juparás

O jupará é um ágil habitante do dossel superior das florestas tropicais e pode ser encontrado em toda a América Central e também na América do Sul.

Atualmente, as populações selvagens dessa espécie estão em declínio. Isso se deve ao fato de que eles têm apenas um filhote ao ano, juntamente com a destruição do seu habitat natural e o comércio ilegal de animais exóticos.

Esse mamífero tem hábitos noturnos e arborícolas. Geralmente, fica mais ativo entre 19h e 00h, e novamente uma hora antes do nascer do sol. Durante o dia, os juparás dormem em buracos nas árvores ou sob a sombra das folhas para evitar a luz solar direta.

É comum que eles formem grupos estáveis ​​nos quais os membros, principalmente os machos, praticam a catação social. Depois de uma noite de aventuras, o grupo segue todas as manhãs para determinados buracos nas árvores para dormirem juntos.

Os juparás vocalizam bastante. Eles têm um repertório de vocalizações que incluem suspiros suaves, chilreios ou assobios ou ainda um barulho de ‘latido’, como se fosse um cachorro gritando. Também produzem um chiado agudo que pode ser muito alto (um chamado para a alimentação) e outros descritos como ‘espirros’.

Raramente saem das copas das árvores. Alimentam-se principalmente de frutas e insetos, e também bebem o néctar das flores durante os períodos de seca. Uma ninhada consiste em um ou dois filhotes, nascidos na primavera ou no verão.

Domesticação dos juparás

O jupará geralmente demonstra pouco medo dos humanos. Em geral, os juparás tendem a se vincular a um ou dois humanos. Embora seja oferecido para adoção como animal de estimação, conviver com ele apresenta vários obstáculos.

O animal não pode ser treinado para controlar as suas necessidades. Eles fazem bagunça e gostam de atirar comida e objetos. O jupará possui glândulas anais que produzem um odor almiscarado quando o animal está com raiva ou com medo.

Embora considerado dócil quando adquirido jovem, o jupará pode reagir arranhando ou mordendo. Em cativeiro, podem viver por 20 anos ou mais.

Juparás: comportamento e habitat

Às vezes, podem ser agressivos. O jupará não gosta de movimentos bruscos, barulho e de ficar acordado durante o dia. Também já foi demonstrado que ele pode transmitir uma série de doenças. Assim, além do risco para a saúde humana, possuir um jupará também é prejudicial ao animal.

Replicar o ambiente da sua floresta tropical pode ser bastante difícil. Criá-lo em um ambiente diferente da floresta tropical pode aumentar o risco de doenças e arruinar a sua qualidade de vida.

O que o jupará come?

Os juparás se alimentam principalmente de frutas e néctar ou mel na natureza. No entanto, quando há a oportunidade, às vezes comem insetos, ovos e sapos, juntamente com outras plantas e flores.

Por causa do tipo de alimento que consomem, são considerados importantes agentes dispersores de sementes e são até mesmo considerados polinizadores de algumas espécies vegetais.

Em cativeiro, podem ser alimentados com biscoitos para macacos e uma variedade de frutas. Entre essas frutas tropicais estão bananas, mamão, manga, melão, kiwi, uva, abacaxi, romã e figo.

A água pode ser fornecida em um recipiente, mas é provável que ela seja derramada ou fique suja. Por esse motivo, uma garrafa de água pesada com um tubo de sucção geralmente funciona melhor.

Em El Salvador, Guatemala e Honduras, os juparás são comumente chamados de micoleón, que significa ‘macaco-leão’. No Peru, os juparás são comumente conhecidos como lirón (‘arganaz’, um mamífero roedor que se parece com um rato) ou mono oso (‘macaco urso’).

Juparás: comportamento e habitat

Conservação do jupará

Seus predadores naturais são as aves de rapina (águias e falcões), a onça-pintada, o puma e outros felinos menores. No entanto, os seres humanos ainda são, de longe, o seu maior predador.

Alguns grupos étnicos da América Central e do Sul são caçados para servirem como alimento, mas o principal objetivo da caça é a sua pele. Além disso, os filhotes são vendidos como animais de estimação através do tráfico ilegal.

Essa espécie está no Anexo III da CITES para Honduras. No México, é considerada uma espécie frágil, mas pouco se sabe sobre o estado de suas populações.

  • Hernández-Camacho, J. (1977). Notas para una monografía de Potos flavus (Mammalia: Carnivora) en Colombia. Caldasia, 147-181.
  • Ceballos, G. y G. Oliva. (2005). Los mamíferos Silvestres de México. CONABIO y Fondo de Cultura Económica. HongKong
  • Gil-Vázquez, A, Musing L, Nekaris K, Juárez I. (2016) El efecto de los vídeos de YouTube en la percepción de especies exóticas como mascotas potenciales. Chronica naturae, 6: 13-23