O mico-leão-dourado: entre ameaças e benfeitores

11 Novembro, 2020
O mico-leão-dourado sofreu uma série de fatores que quase o levaram à extinção. No entanto, a ação conjunta das sociedades conservacionistas lhe confere esperança de sobrevivência.

O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é uma espécie de primata da família Callitrichidae e é nativo do Brasil. O nome “leão” vem da sua juba densa e sedosa, ao passo que seu rosto não tem pelos.

Os micos se diferenciam de outros macacos do continente americano devido ao seu pequeno tamanho. Na idade adulta, esse pequeno primata pode pesar meio quilo e medir 40 centímetros.

Onde habita o mico-leão-dourado?

Ele habita naturalmente a floresta tropical sazonal de terras baixas na costa brasileira. O clima é extremamente úmido, com média de chuvas em torno de 1500 milímetros por ano. O mico-leão ocupa uma camada da floresta entre 10 e 30 metros acima do solo.

Além disso, ele precisa e procura por áreas de floresta densa (copa fechada), com abundância de trepadeiras e alta densidade de frutas. Esses primatas dormem em buracos nas árvores para se protegerem de predadores.

Progressivamente, o mico-leão-dourado perdeu entre 95 a 98% do seu habitat original. Hoje, seu alcance é limitado a três pequenas áreas de floresta tropical no sudeste do Brasil:

  • Reserva Biológica Poço das Antas.
  • Reserva Biológica Fazenda União.
  • Terras privadas através do programa de reintrodução.

A espécie de mico-leão-dourado foi capaz de se adaptar, até certo ponto, a viver em florestas degradadas e secundárias. No entanto, seu sucesso depende da obtenção de fontes suficientes de alimentos ao longo do ano.

Onde habita o mico-leão-dourado?

Características físicas distintas do mico-leão-dourado

Além de sua juba dourada e sedosa e do seu tamanho reduzido, o mico-leão se destaca por seu rosto sem pelos e achatado, e por suas narinas bem separadas.

Quanto ao tamanho, essa espécie não apresenta acentuado dimorfismo sexual, seu corpo é coberto por pelos longos, de uma coloração que vai do ouro pálido a um belo ouro avermelhado.

Uma característica importante é que o mico-leão tem garras e não unhas planas. As garras permitem que ele se prenda às laterais dos troncos das árvores.

Isso também torna mais fácil para o macaco se mover sobre as quatro patas ao longo dos pequenos galhos, seja andando, correndo ou pulando, o que lhe proporciona uma locomoção mais semelhante à dos esquilos do que dos primatas.

Dieta e hábitos alimentares

Essa criatura tem uma dieta diversificada e onívora que consiste em frutas, flores, néctar, exsudatos de plantas (gomas) e presas, incluindo sapos, ovos de pássaros, caracóis, lagartos, aranhas e insetos.

Graças aos seus dedos habilidosos, o mico-leão-dourado pode extrair suas presas de fendas e outros locais escondidos, um comportamento conhecido como micromanipulação.

Assim, devido às suas mãos e dedos alongados, os insetos constituem de 10 a 15% da sua dieta. Esses animais viajam por grandes territórios (com uma média de 123 hectares) para coletar recursos alimentares suficientes.

Vida em sociedade

Os micos-leões são uma espécie social. Na natureza, eles são encontrados em grupos de dois a oito indivíduos, muitas vezes constituídos por membros da mesma família.

Os grupos incluem pares reprodutores, descendentes de uma ou duas ninhadas e possivelmente outros parentes. Essas associações são geralmente famílias nucleares, mas também podem ser constituídas por famílias extensas.

É preciso notar que esses primatas são territoriais e defendem a sua área com marcas de cheiro e ameaças vocalizadas. Os grupos defendem áreas residenciais de 40 a mais de 100 hectares. A extensão dessas áreas varia de acordo com o tamanho do grupo.

Alguns sinais de agressão do animal são a boca aberta, o dorso arqueado e o olhar fixo. Normalmente, eles passam boa parte do dia em atividades de limpeza mútua. Os filhotes brincam muito, se perseguem e brigam.

Quando há mais de um adulto reprodutivo em um grupo, geralmente um é dominante sobre os outros. Sua supremacia é mantida por meio de um comportamento agressivo.

A relação de dominância entre machos e fêmeas depende da longevidade do grupo. Um macho recém-imigrado será subordinado a uma mulher adulta residente.

A reprodução

Segundo estudos, sabe-se que os micos-leões-dourados são, em sua maioria, monogâmicos e se reproduzem uma ou duas vezes ao ano. Em geral, apenas uma fêmea por grupo se reproduz durante cada estação reprodutiva. Além disso, o cuidado dos filhotes é cooperativo.

A gestação dura de 130 a 135 dias. A idade de maturidade sexual é de 18 meses para fêmeas e 24 meses para machos. Ao nascer, o filhote é peludo e tem os olhos abertos.

Ele se apega à mãe durante as primeiras semanas e às amas de leite por um período de 90 dias. Em alguns casos, foi observado que um pai prefere cuidar de um filhote macho.

A intenção dos programas em andamento é fortalecer a população selvagem e manter uma população cativa segura em zoológicos de todo o mundo.

O mico-leão-dourado é uma espécie em extinção

A gama de ocupação de indivíduos silvestres é limitada a algumas localidades no sudeste do Brasil. As ameaças à população de mico-leão-dourado incluem extração ilegal de madeira, caça furtiva, mineração, urbanização e desenvolvimento de infraestrutura, além da introdução de espécies exóticas.

Recentemente, um censo promovido por associações de conservação estimou 3200 indivíduos remanescentes na natureza.

Esse número é considerado um sucesso estrondoso, uma vez que em 1969 a população selvagem era estimada em 150 indivíduos. Além disso, é relatado que atualmente existe uma população cativa de cerca de 490 indivíduos distribuídos em 150 zoológicos.

É uma espécie em extinção
Embora a taxa de sobrevivência do mico-leão reintroduzido na natureza tenha sido encorajadora, a destruição do habitat desprotegido continua. Apesar dos avanços obtidos, a UICN alerta que, em face da extrema fragmentação do habitat, a população selvagem tem pouco potencial para expansão futura da espécie.
  • Ruiz-Miranda, C.R., Jerusalinsky, L., Kierulff, C., Mittermeier, R.A., Oliveira, L., Pissinatti, A., Valença Montenegro, M. & de Oliveira, P. (2019). Leontopithecus rosalia. The IUCN Red List of Threatened Species 2019: e.T11506A17935211. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T11506A17935211.en. Downloaded on 24 May 2020.
  • Frantom, S. 1999. “Leontopithecus rosalia” (On-line), Animal Diversity Web. Accessed May 25, 2020 at https://animaldiversity.org/accounts/Leontopithecus_rosalia/