Processo de polinização e migração do beija-flor

06 Janeiro, 2020
O papel do beija-flor na polinização é fundamental para muitas plantas; tanto é assim que, se não fosse por esse pássaro, muitas delas não poderiam se reproduzir.

Se tivermos que falar de um pássaro maravilhoso, certamente o menor do mundo ficará em primeiro lugar. Neste artigo, vamos contar tudo que você precisa saber sobre o processo de polinização e migração do beija-flor, um animal muito valioso.

Características do beija-flor

Também chamado de colibri, esta é a menor ave do mundo, com um peso que varia entre 2 e 20 gramas. Ele é conhecido por suas belas cores marcantes, bem como pela batida rápida de suas asas e o ‘chiado’ que produz quando passa de flor em flor.

Outra característica marcante do beija-flor é que, diferentemente de outros pássaros, ele pode se mover em todas as direções, inclusive para trás ou de cabeça para baixo.

O beija-flor e a polinização

Da mesma forma que as abelhas, os beija-flores vão de flor em flor, contribuindo assim para a polinização de muitas espécies. Inclusive, sem a ajuda deste pequeno pássaro colorido, muitas plantas não poderiam se reproduzir.

Essas aves nectarívoras se relacionam muitíssimo bem com as flores ornitófilas que polinizam. O beija-flor frequenta lugares onde consegue encontrar plantas como a madressilva ou o hibisco – qualquer uma que tenha uma corola tubular e seja avermelhada, alaranjada ou rosada chamará a sua atenção – a partir das quais ele se alimenta do seu néctar.

Ele consegue calcular a quantidade de açúcar que cada flor apresenta e escolhê-la ou descartá-la, de acordo com as suas necessidades no momento. Para fazer isso, ele usa o seu bico, alongado, fino e reto.

Processo de polinização e migração do beija-flor

Embora você possa não acreditar, um beija-flor pode visitar mais de 1000 flores em um mesmo dia em busca de alimento. Ele precisará de 60 flores cheias de néctar para reabastecer a energia usada para voar e se deslocar.

A ‘colaboração’ entre beija-flores e plantas é mútua. Por um lado, as flores são polinizadas graças a este pequeno pássaro e, por outro, as plantas se tornam alimento e até mesmo remédio para esses lindos espécimes coloridos.

Devemos ter em mente que, quando um beija-flor está rondando as flores do nosso jardim, ele está cumprindo com o seu papel biológico. Quando ele insere o bico e a cabeça em uma flor, além de sugar o seu néctar, ele fica coberto de pólen, que também se adere ao seu corpo e às suas penas.

Então, ele parte voando e segue em direção a outra flor. Novamente, entra dentro dela e lá ‘deposita’ o pólen com o qual estava coberto.

Devemos saber que, no pólen, são encontrados os gametas masculinos das plantas, e que eles devem ter contato com os espécimes femininos para que a reprodução aconteça. Assim, graças ao beija-flor, ocorre a fertilização que dará origem a novos frutos e flores!

A migração do beija-flor

Essas aves são, quase em sua totalidade, nativas das Américas, embora prefiram locais tropicais ao sul. No entanto, elas também estão presentes no Alasca e na Terra do Fogo.

A migração do beija-flor

Durante os períodos frios do ano, os beija-flores podem migrar em um voo de até 800 quilômetros para procurar locais mais quentes. Uma das áreas escolhidas para passar o inverno é o Golfo do México, um local que, sem dúvida, é um dos preferidos por quem faz observação de pássaros.

Embora os beija-flores não hibernem, eles podem escolher esse tipo de conservação de energia se não conseguirem encontrar alimento por vários quilômetros. Para fazer isso, eles diminuem o seu metabolismo, reduzem a temperatura do corpo de 41 °C para 9 °C e voam mais devagar do que o normal.

Durante essa fase, conhecida como ‘torpor’, a frequência cardíaca diminui de 1200 para 180 batimentos por minuto, como é o caso do beija-flor-de-garganta-azul. No entanto, isso não significa que eles parem de se alimentar no inverno, mas sim que isso ocorre de maneira mais espaçada.

Embora possam parecer muito frágeis devido ao seu pequeno tamanho, na verdade eles são pássaros muitíssimo resistentes a baixas temperaturas.

Além disso, as mudanças climáticas, o corte de árvores e a redução de florestas nativas fazem com que cada vez mais beija-flores precisem migrar para latitudes distantes, como as regiões temperadas do Canadá, onde há abundância de arbustos e flores.

A migração do beija-flor não é tão comum quanto a de outras aves que migram assim que as temperaturas começam a cair. Isso ocorre porque ele foi capaz de mudar os seus hábitos e, acima de tudo, por causa das suas mudanças em termos metabólicos… sem dúvida, algo muito interessante!

Martínez-García, V., & Ortiz-Pulido, R. (2014). REDES MUTUALISTAS COLIBRÍ-PLANTA: COMPARACIÓN EN DOS ESCALAS ESPACIALES. ORNITOLOGIA NEOTROPICAL.