A qualidade da água é importante para a saúde do peixe-dourado?

05 Fevereiro, 2020
Para manter a saúde de um peixe-dourado, são necessários poucos cuidados; a chave para a sua capacidade de sobrevivência é a sua adaptabilidade a águas de baixa qualidade.
 

O peixe-dourado é uma das espécies mais populares para os apreciadores de aquários. É um peixe ciprinídeo da família das carpas. É comum vê-lo em tanques de vidro ou em grandes lagoas nos parques das cidades onde, com mais espaço, eles tendem a crescer bastante. A boa saúde do peixe-dourado é um dos aspectos que se destaca a seu respeito.

Este peixe é um dos mais fáceis de criar devido à sua capacidade de reprodução, adaptabilidade a uma grande variedade de climas e resistência a diferentes doenças. Eles são nativos do leste da Ásia e se tornaram populares como peixes ornamentais na Europa séculos atrás.

Quais são as características do peixe-dourado?

As variedades comuns dos peixes-dourados têm entre 15 e 30 centímetros de comprimento e pesam cerca de 300 gramas, mas em condições naturais elas podem triplicar de tamanho e pesar até quase dois quilos. Seu corpo é curto e oval, com longas barbatanas e cauda, que o tornam um nadador perfeito.

Essas pequenas carpas geralmente têm uma coloração com diferentes tons de amarelo e laranja, cores fortes e brilhantes que podem ser indicativas do estado de saúde do peixe-dourado.

Eles são peixes de vida longa e, se permanecerem com boa saúde, podem viver entre 5 e 10 anos. Há casos em que eles superaram uma década inteira de vida em condições mais naturais, como em lagos e lagoas.

Peixe-dourado
 

A saúde do peixe-dourado é muito resistente

O peixe-dourado é um tipo de peixe de água doce que não é encontrado em mares ou oceanos. Na natureza, ele prefere águas rasas de lagoas e rios de corrente lenta, com vegetação abundante e solo macio. Eles costumam ser encontrados perto das costas.

No entanto, essa espécie é capaz de sobreviver em condições desfavoráveis, como em água poluída, com baixa concentração de oxigênio e baixas temperaturas, condições nas quais outras espécies de peixes morrem.

Sobrevivem a baixas concentrações de oxigênio

O peixe-dourado e outras espécies de peixe conseguem sobreviver a períodos de anoxia – escassez ou falta de oxigênio durante períodos de horas a dias. Esses animais possuem mecanismos biológicos para reduzir a sua demanda de energia em condições desfavoráveis, como a falta de oxigênio.

Esse processo é conhecido como depressão metabólica e consiste em reduzir bastante o metabolismo do peixe, por isso ele precisa de muito menos energia para se manter vivo. O animal apresenta uma série de alterações fisiológicas durante a depressão metabólica:

  • Reduz em aproximadamente três vezes a sua produção de calor.
  • Aumenta as reservas de glicogênio no fígado e no cérebro como uma molécula produtora de energia.
  • Não acumula resíduos metabólicos tóxicos, uma vez que, nos músculos, converte ácido lático em etanol e CO2 que podem ser excretados na água pelas brânquias.
  • Glicólise anaeróbica como via metabólica da energia.
 
Peixes de aquário

E a temperaturas muito baixas

Este tipo de peixe pode suportar temperaturas muito baixas, mesmo em águas geladas, graças a uma série de mecanismos fisiológicos e ao seu comportamento durante o inverno.

Quando o frio aumenta, o peixe-dourado pode se enterrar sob a lama e, assim, sobreviver mantendo-se menos ativo, mas com atividade cerebral suficiente para permanecer em alerta em seu ambiente natural.

Devido ao seu metabolismo particular, sua grande adaptação ao meio ambiente, sua fácil reprodução e longevidade, o peixinho-dourado tornou-se uma espécie que se espalhou por todo o mundo.

Existem muitos casos de donos que “se cansam” dos seus peixes e os soltam em parques e lagos, onde eles crescem sem qualquer restrição de espaço e se tornam as espécies mais abundantes.

Tendo em vista que, para a saúde de um peixe-dourado, uma água com características muito especiais não é necessária, ele se tornou uma espécie muito típica nos nossos aquários.

 
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  • Volodymyr I. Lushchak, Ludmyla P. Lushchak, Alice A. Mota, and Marcelo Hermes-Lima. Oxidative stress and antioxidant defenses in goldfish Carassius auratus during anoxia and reoxygenation, 2001.
  • Hill, Wyse y Anderson. Fisiología animal, 2006.