Rachel Carson: uma inspiração para Greta Thunberg?

27 Maio, 2020
Primavera Silenciosa foi um trabalho que revolucionou o cenário científico da época, porque foi a primeira declaração pública do efeito dos pesticidas no meio ambiente.

A bióloga e escritora Rachel Carson é uma das conservacionistas mais importantes da história e foi reconhecida como a “mãe” do ambientalismo moderno. Isso acontece porque as suas escritas sobre os perigos dos pesticidas marcaram o início do movimento ambiental moderno.

Sua abordagem aumentou a conscientização ambiental do público norte-americano e foi fundamental no esforço nacional sem precedentes para proteger a natureza da destruição química. O impacto do seu trabalho se deve ao uso de uma linguagem clara e acessível, fácil de entender para o leitor comum. 

Infância, educação e ambiente familiar de Rachel Carson

Rachel Carson nasceu em 27 de maio de 1907 em uma fazenda em Springdale, Pensilvânia, EUA. Ela era a caçula dos três filhos do casamento entre Robert e Maria McLean Carson.

Por influência materna, ela desenvolveu seu amor pela natureza. Isso permitiu que ela se tornasse uma escritora para revistas infantis aos 10 anos de idade.

Frequentou o Pennsylvania College for Women (hoje Chatham University), formando-se com honras em 1929. Depois estudou no Instituto Oceanográfico de Woods Hole, Massachusetts e na Universidade Johns Hopkins, onde obteve seu mestrado em Zoologia em 1932.

Rachel Carson: história

Dificuldades financeiras a obrigaram a desistir de um doutorado para ajudar a sustentar sua mãe e, mais tarde, duas sobrinhas órfãs. Com o tempo, depois que uma das sobrinhas morreu no início de 1957, Carson adotou seu filho e se mudou para Silver Spring, Maryland, para cuidar da mãe.

Início de sua obra escrita

Depois de superar todos os outros candidatos no exame para o serviço público, em 1936, Carson se tornou a segunda mulher contratada pelo Departamento de Pesca dos Estados Unidos.

Ela permaneceu lá por 15 anos, escrevendo folhetos e outros materiais para o público. Foi promovida a editora-chefe de todas as publicações do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos.

Enquanto isso, escreveu vários livros populares sobre a vida aquática, incluindo Under the Sea Wind (1941) e The Sea Around Us (1951). O último foi transformado em uma série pelo New Yorker e vendido em todo o mundo.

Esses livros constituíram uma biografia do oceano e deixaram Carson famosa, vista como uma escritora naturalista e científica que podia ser entendida pelo grande público.

Ela ganhou um prêmio nacional de redação científica, uma bolsa de estudos em Guggenheim que, junto com a venda dos seus livros, lhe garantiu independência financeira. Ela parou de trabalhar para o governo e se mudou para Southport Island, Maine, em 1953, para se concentrar em sua escrita.

“Então, uma rara praga se espalhou pelo local e tudo começou a mudar. (…) Havia um silêncio estranho. (…) Os poucos pássaros vistos estavam morrendo, tremiam violentamente e não conseguiam voar. Foi uma primavera desprovida de vozes” – Extraído de Primavera Silenciosa

Obra-prima de Rachel Carson

Primavera Silenciosa é um daqueles livros raros que fizeram história, não incitando guerra ou violência, mas alterando a direção do pensamento do ser humano.

O livro foca principalmente nos efeitos dos pesticidas nos ecossistemas, mas quatro capítulos detalham seu impacto nos seres humanos, incluindo o câncer.

Com esse livro, a tímida escritora desafiou as práticas dos cientistas agrícolas e do governo e pediu uma mudança na maneira como a humanidade via o mundo natural.

Esboçando os perigos dos pesticidas químicos, seu livro levou à proibição nacional de DDT e outros pesticidas, e desencadeou o movimento que acabou levando à criação da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, sigla em inglês).

Em resposta, a indústria química a acusou de espalhar desinformação. As empresas químicas tentaram desacreditá-la, chamando-a de comunista e histérica.

Carson testemunhou perante o Congresso em 1963, pedindo novas políticas para proteger a saúde humana e o meio ambiente.

Obra-prima de Rachel Carson

Primavera Silenciosa está na lista dos cem livros de ciências mais importantes do século XX. Nesse trabalho, pode-se apreciar a reverência pela vida que a autora manifestava.

Um amor secreto?

Em 1955, ela começou um relacionamento com Dorothy Freeman. Para o mundo exterior, as duas mulheres eram apenas amigas íntimas. Freeman, na casa dos 50 anos na época, casou-se e teve filhos, esforçando-se para esconder a natureza do seu relacionamento.

Embora grande parte da sua correspondência tenha sido destruída pouco antes da morte de Carson, o resto veio à tona pela neta de Freeman em 1995, em uma publicação intitulada: “Para sempre, Rachel: As cartas de Rachel Carson e Dorothy Freeman, 1952-1964: Um retrato íntimo de uma amizade notável”.

Câncer de mama, os prêmios e o seu legado

Gravemente doente com câncer de mama, Carson morreu dois anos após a publicação do seu livro. Mais tarde, em 1980, ela foi premiada postumamente com a Medalha Presidencial da Liberdade. Suas casas são consideradas marcos históricos nacionais e, atualmente, vários prêmios levam seu nome.

Sete anos depois, em 1970, o Congresso criou a Agência de Proteção Ambiental. Isso se tornou uma consequência direta do movimento ambiental causado pelo livro Primavera Silenciosa.

Fonte: Union of Concerned Scientists

Dois anos depois, em 1972, o governo proibiu o DDT, o pesticida que havia ajudado a tornar quase extinto o símbolo nacional dos Estados Unidos, a águia americana, e outras aves.

Seus testemunhos sobre a beleza e a integridade da vida continuam inspirando as novas gerações a proteger o mundo dos vivos e todas as suas criaturas. Por esse motivo, há quem acredite que Rachel Carson possa ser uma das grandes figuras que inspirou jovens como Greta Thunberg.