O sabiá-do-campo: uma ave de tons terrosos

19 Outubro, 2020
A ave da qual vamos falar habita grande parte do território sul-americano. Saiba mais sobre o sabiá-do-campo.

Existe um pássaro cujo nome científico homenageia a arte da imitação. Afinal, o sabiá-do-campo, habitante do sul das Américas, herdou a capacidade de imitar o canto de outras espécies. Se você quiser saber mais sobre esse animal, não deixe de ler o que vem a seguir.

O sabiá-do-campo: história do nome

É preciso voltar ao século XIX para encontrar a primeira menção ao sabiá-do-campo. Essa ave foi descrita pelo zoólogo e naturalista alemão Martin Carl Lichtenstein em 1823. No entanto, ao descrevê-la, ele a ‘batizou’ com outro nome oficial, incluindo-a no gênero dos tordos.

Três anos mais tarde, foi outro zoólogo alemão que estabeleceu definitivamente o gênero Mimus, no qual incluiu o sabiá-do-campo. Atualmente, o gênero Mimus compreende um total de 14 espécies de aves passeriformes, a maioria delas distribuídas pelo continente americano.

Características gerais

Estamos diante do maior espécime do gênero Mimus, já que essas aves medem entre 25 e 27 centímetros quando atingem a idade adulta. Sua plumagem tem um padrão de coloração muito característico, prevalecendo os tons terrosos e castanhos sobre os tons mais claros.

O dorso é acastanhado, com algumas linhas de plumagem mais escuras, e as asas são pretas com alguns motivos brancos. A parte que vai desde a garganta até o final da barriga é um pouco mais clara, mas sempre mantendo os tons terrososNo sabiá-do-campo, destaca-se a sua longa cauda, com manchas brancas características que podem ser observadas quando a ave está voando.

O sabiá-do-campo: uma ave de tons terrosos

Também se destacam as patas relativamente compridas para esse tipo de espécie, o que indica que essa espécie está adaptada para caminhar durante longos períodos, uma vez que passa boa parte do dia no chão. Seu bico também passou por adaptações, sendo forte e alongado. Essas características se relacionam com uma parte da sua dieta, pois essa ave utiliza o bico para capturar insetos.

Alimentação e canto do sabiá-do-campo

Essas aves têm uma dieta insetívora e frugívora. Isso significa que parte da sua alimentação consiste em insetos e larvas, complementados com alguns pequenos frutos silvestres. Além disso, também podem se alimentar de restos de carne, de modo que podemos dizer que sua alimentação é diversificada.

O canto do sabiá-do-campo é uma de suas peculiaridades, já que essas aves são excelentes cantoras. Seu canto é agradável e facilmente reconhecível, além de terem a habilidade de imitar o canto de outros pássaros com incrível precisão. Além disso, também podem aprender e até mesmo imitar sons ao seu redor, por mais diferentes e variados que sejam.

O sabiá-do-campo: uma ave de tons terrosos

Distribuição e conservação

O território principal do sabiá-do-campo é a América do Sul. Devido à sua ampla distribuição, é fácil observá-lo em países como Argentina, Paraguai, Bolívia ou Brasil. Seu habitat é muito variado, incluindo pastagens e estepes, mas também paisagens urbanas, como, por exemplo, jardins.

Quando fazem ninhos, esses pássaros os constroem em árvores ou arbustos, e será a fêmea quem incubará os ovos. São aves que defendem seu ninho de qualquer agressor, de modo que podem se tornar agressivas contra intrusos indesejados. Em algumas ocasiões, já foram vistas voando muito perto de outros animais muito maiores a fim de alertá-los para que não se aproximassem.

Tendo em vista o seu grande número e variedade de distribuição, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) considera que o sabiá-do-campo se enquadra na categoria ‘pouco preocupante’ em nível mundial. Essa categoria garante que a espécie não está ameaçada e que seu desaparecimento a curto e médio prazo está descartado.

  • BirdLife International (2018). Mimus saturninusThe IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T22711035A132092680.

 

  • Sazima, I. (2007). Like an earthworm: Chalk-browed Mockingbird (Mimus saturninus) kills and eats a juvenile watersnake. Revista Brasileira de Ornitologia.