O sagui-cabeça-de-algodão: seus hábitos diurnos e territoriais

20 Novembro, 2020
O sagui-cabeça-de-algodão é um primata único no mundo. Encontra-se em grave perigo de extinção devido à eliminação do seu habitat e ao esgotamento da população por causa do comércio ilegal de animais.

O sagui-cabeça-de-algodão (Saguinus oedipus) é uma espécie de primata platirrino da família Callitrichidae. Esse animal tem distribuição restrita a uma pequena área de selva, delimitada pela costa caribenha colombiana.

Além disso, seu nome se refere à característica mais marcante da espécie: a cor branca dos pelos da cabeça e da juba.

Como reconhecer esse pequeno macaco?

O mais impressionante sobre esse primata é o seu tamanho e sua cor. Ele é pequeno, já que um macaco adulto pesa menos de 0,5 kg. Além disso, as têmporas e as laterais de sua cabeça são cobertas por pelos prateados. Por outro lado, seu rosto não tem pelos e sua pele é negra.

O dorso é principalmente preto ou marrom, enquanto os braços e as pernas são predominantemente brancos ou amarelados. A garupa e a parte interna das coxas têm uma coloração laranja-avermelhada. A base da cauda também é laranja-avermelhada, enquanto a ponta é negra.

Por outro lado, a principal característica que distingue os calitriquídeos de outros macacos do mundo é o fato de que eles possuem unhas em vez de garras. Outras características distintivas são a presença de dois molares em vez de três de cada lado da mandíbula e uma cauda ligeiramente mais longa que o corpo, que não é preênsil.

O sagui-cabeça-de-algodão: seus hábitos diurnos e territoriais

Habitat e distribuição geográfica do sagui-cabeça-de-algodão

O sagui-cabeça-de-algodão é endêmico da Colômbia. É encontrado apenas em um remanescente arborizado de 4300 hectares destinados à proteção da mata seca. Esse habitat exclusivo da espécie está localizado no município de San Juan Nepomuceno, próximo a Barranquilla, capital do departamento Atlántico, no Caribe colombiano.

Esse pequeno macaco é arborícola, pois habita o dossel superior da floresta tropical úmida e da floresta caducifólia seca. Além disso, ele mostrou ser adaptável a faixas ou partes de floresta secundária ou remanescente e pode viver em habitats relativamente perturbados.

Reprodução e expectativa de vida do sagui-cabeça-de-algodão

O sagui-cabeça-de-algodão tem um sistema de reprodução monogâmico. Curiosamente, duas vezes por ano, essa espécie tem gêmeos não idênticos. Além disso, a criação é cooperativa, prática que não está presente em muitos outros primatas.

Nessa criação participam “ajudantes” adultos que permanecem na família e adquirem experiência parental em vez de se reproduzirem. Essa prática pode resultar no maior potencial reprodutivo de todos os primatas.

De acordo com estudos, a espécie tem reprodução sazonal: as fêmeas engravidam e amamentam apenas de janeiro a junho. A gestação dura aproximadamente 140 dias. Por outro lado, a expectativa de vida em cativeiro gira em torno de 25 anos.

O sagui-cabeça-de-algodão é principalmente insetívoro e frugívoro, com os insetos representando 40% de sua dieta e as frutas representando os outros 38%.

Práticas sociais interessantes

O sagui-cabeça-de-algodão vive em grupos que podem chegar a 19 indivíduos e tem hábitos diurnos. Mais comumente, os grupos são formados pelo casal dominante e de um a sete indivíduos jovens subordinados, de ambos os sexos.

Eventualmente, esses membros subordinados formam pequenos grupos e migram dentro e fora da área ocupada pelo grupo principal. As áreas dominadas por cada grupo variam de 7 a 10 hectares.

O sagui-cabeça-de-algodão é territorial e usa marcas de cheiro para definir seu território. Contudo, ao entrar em contato com outros grupos, em vez do contato físico, os membros ameaçam o outro grupo mostrando sua região posterior e genital como uma demonstração territorial.

O sagui-cabeça-de-algodão: seus hábitos diurnos e territoriais

Um primata em perigo crítico de extinção

Embora os números atuais para a população de sagui-cabeça-de-algodão sejam desconhecidos, estima-se que a espécie esteja em franco declínio. Assim, calcula-se que mais de 80% dos membros tenham desaparecido nas últimas três gerações (18 anos), basicamente por causa da destruição do seu habitat.

Infelizmente, a área de habitat está exposta à colonização intensiva e à perda de floresta, pois já em 1978 estimava-se que 75% da distribuição original da espécie havia sido reduzida para a agricultura e a pastagem. Esforços excepcionais de proteção da espécie são necessários para que ela possa ser salva da extinção.