Seleção natural e adaptação no ambiente animal

30 Junho, 2020
A seleção natural e a adaptação têm sido as ferramentas utilizadas pela natureza para orientar a evolução de todas as espécies. Todos os seres vivos que existem hoje são o resultado dessas ferramentas.
 

Se seguirmos as referências do dicionário, a seleção será entendida como “a escolha de uma ou várias pessoas ou coisas entre um conjunto baseado em um determinado critério”. Aplicando o termo natural, entendemos que é a natureza que faz essa seleção.

Com base nisso, podemos entender que a seleção natural é a escolha, por natureza, de um ou mais seres vivos com base em determinados critérios. Por outro lado, a adaptação nada mais é do que a capacidade de um determinado ser vivo de sobreviver e se reproduzir em um determinado ambiente. Nesse sentido, são a adaptação e a não adaptação que originam a seleção natural.

Como se pode observar, seleção natural e adaptação são dois termos intimamente relacionados. Abaixo, vamos ver mais sobre esse relacionamento, que é uma jornada fascinante pelo mundo animal.

Se todos os animais fossem perfeitamente adaptados a todos os ecossistemas, não haveria seleção natural.

A origem dos termos: seleção natural e adaptação

A primeira pessoa a estudar esses conceitos foi Charles Darwin, autor do livro A Origem das Espécies, obra que pode ser considerada o primeiro trabalho científico sobre esse assunto e um texto fundamental para a biologia evolutiva.

Como curiosidade, podemos salientar que este livro despertou grande controvérsia, principalmente entre os religiosos.

As experiências coletadas nesse livro viraram um dos pilares do cristianismo da época: o criacionismo. Ele desmentia a ideia do design inteligente, isto é, a implicação de Deus na evolução das espécies. Apesar de ser uma teoria mais do que comprovada, até hoje a seleção natural continua a ter inúmeros críticos, dentro e fora do campo científico.

 

A sobrevivência do mais forte, certo?

Talvez isso aconteça com muitas pessoas. Quando ouvem falar da seleção natural, seu cérebro automaticamente completa a frase com um substituto muito curioso: a sobrevivência do mais forte.

Quando estudamos sobre o assunto na escola e no ensino médio, essa era a explicação usual, mas não é exatamente assim que acontece. 

A sobrevivência do mais forte é uma explicação que não inclui 100% de todos os cenários da seleção natural. Vamos nos aprofundar no assunto usando o exemplo a seguir.

Em uma matilha de lobos, o macho alfa é o único que tem o direito de se reproduzir. Esse indivíduo é quem garantirá o gerenciamento da sua genética. Aquele lobo conseguiu alcançar a posição mais alta do bando lutando contra o resto dos machos.

Sobrevivência do mais forte, certo?

Nesse caso, podemos assumir que esse macho alfa, bem-sucedido, vigoroso, ágil e atraente é o mais forte do grupo. Portanto, os filhotes desse “super lobo” terão parte da maravilhosa genética do pai

Por outro lado, a genética dos perdedores, que não vale nada quando comparada à do macho alfa, será perdida com eles, a menos que eles consigam derrotar outro macho alfa em algum momento.

 

Como podemos ver nesse cenário, a sobrevivência do mais forte se encaixa na definição, mas vamos dar outro exemplo.

Certamente ficamos fascinados ao ver um pavão macho, com aquelas penas tão majestosas. Se elas impressionam até os seres humanos, imagine o que uma fêmea sente. Mas se pensarmos bem, a cauda enorme que as fêmeas tanto gostam é um problema enorme quando se trata de escapar de potenciais predadores.

Portanto, vale a pena se perguntar como o pavão evoluiu com ela, mesmo que essa cauda enorme o deixe mais vulnerável ​​e fraco.

O pavão e sua majestosa cauda

A sobrevivência do mais apto

A seleção natural e a adaptação nem sempre favorecem os mais fortes, e sim os mais aptos, ou seja, aqueles que têm mais descendentes.

Às vezes, o mais forte é sim o mais apto, aquele que mais facilmente consegue se adaptar ao ambiente, melhor sobrevive e mais descendentes possui. Mas, em outras ocasiões, a pressão sexual seletiva cria características que são prejudiciais à capacidade de sobrevivência, como no exemplo do pavão.

E, mesmo assim, esses animais com características inicialmente pouco aptas, conseguem se reproduzir e manter a sua linhagem genética. Em resumo, a partir de agora, você sabe que a sobrevivência pertence ao mais apto.

 
  • Darwin, C. El origen de las especies.