Urutu: características e habitat

23 Outubro, 2020
A urutu é uma cobra venenosa, classificada no grupo das víboras. Além disso, registra um alto percentual de envenenamentos e, por isso, é uma espécie de importância biossanitária.

A urutu ou Bothrops alternatus pertence à família Viperidae. Essa serpente, ou mais especificamente essa víbora, é nativa da América do Sul.

Características da urutu

A urutu faz parte do grupo das serpentes ou cobras venenosas. Mais especificamente, dentro deste grupo, pertence aos viperídeos, juntamente com as cascavéis, enquanto as cobras-corais pertencem aos elapídeos.

As serpentes venenosas têm glândulas nas quais é produzido o veneno. Por meio de um canal glandular, essas glândulas estão conectadas aos dentes especializados na inoculação do veneno.

A urutu faz parte das víboras verdadeiras. Apresenta dois orifícios em cada lado da cabeça, à frente dos olhos, e tem pequenas escamas no dorso cefálico.

A reprodução dessas espécies é ovovivípara. Além disso, é possível diferenciar as fêmeas dos machos graças ao dimorfismo sexual que apresentam: os exemplares do gênero feminino são maiores.

Diferenças entre ofídios venenosos e não venenosos

A fosseta loreal é o traço decisivo que diferencia as víboras das outras serpentes. Localiza-se na região anterior aos olhos, atrás das narinas e acima da boca.

As serpentes com fosseta loreal são víboras – cascavel ou urutu – e as serpentes sem fosseta são jiboias ou cobras. É curioso que a cobra-coral, apesar de ser venenosa, não apresente fosseta loreal.

Outra característica que deve ser levada em consideração é a presença ou ausência de pescoço e o formato da cabeça. As víboras do gênero Bothrops Crotalus, apresentam uma cabeça triangular, com um pescoço definido. Em contraste, as corais ou cobras têm uma cabeça arredondada e um pescoço pouco definido.

Porém, o pescoço não é decisivo, pois existem jiboias e cobras que têm o pescoço definido apesar de não serem venenosas.

Às vezes, as escamas podem facilitar a identificação do espécime. As víboras possuem escamas pequenas que cobrem a parte dorsal da cabeça. Além disso, a textura das escamas é áspera, devido à sua aparência carenada.

Urutu: características e habitat

Inoculação do veneno

Todas as serpentes da família Viperidae possuem dentes altamente evoluídos, denominados solenóglifos, eficientes para a inoculação do veneno. Assim, elas podem injetar quantidades consideráveis ​​de veneno em questão de segundos.

No momento do ataque, enroscam-se em espiral, com dois terços do corpo ereto. Dessa forma, têm uma maior facilidade para projetar a cabeça na direção da presa e retornar à posição inicial.

Habitat

A urutu é um animal noturno ou com hábitos crepusculares. No entanto, os envenenamentos geralmente ocorrem durante o dia.

Essa espécie normalmente é encontrada em regiões com climas quentes ou temperados. Essas serpentes preferem regiões com chuvas frequentes.

Duas espécies, a Bothrops alternatus e a Bothrops ammodytoides, são localizadas em regiões frias ou em áreas montanhosas. Mesmo assim, a maioria prefere viver em climas quentes, independentemente de serem úmidos ou secos.

Estado de conservação

Na lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) não foi encontrado nenhum registro para a espécie Bothrops alternatus. No entanto, foram encontrados registros e informações sobre outras espécies do mesmo gênero.

Urutu: características e habitat

Curiosidades sobre a urutu

Dentre os diferentes gêneros de víboras existentes, há três que requerem uma maior atenção biossanitária. Esses gêneros incluem as cascavéis (Crotalus), as cobras-corais (Micrurus) e as urutus (Bothrops). As cobras-corais e as cascavéis representam um percentual menor de picadas do que as urutus.

Por isso, os países da América do Sul, onde são encontrados os gêneros citados, produzem todos os soros antiofídicos necessários para o tratamento dos envenenamentos.

Antigamente, acreditava-se que o formato da pupila – vertical ou redonda – era indicativo do tipo de serpente. No entanto, isso se refere aos hábitos delas, se são noturnos ou diurnos.

Primeiramente, a principal característica que deve ser levada em consideração em uma identificação é a fosseta loreal. Às vezes, o padrão da pele também pode permitir a distinção entre uma serpente venenosa ou não.

Existem serpentes não venenosas que imitam as venenosas como uma técnica de sobrevivência. Um exemplo são as falsas-corais, cujo padrão de anéis é incompleto. Os anéis de uma cobra-coral são pretos, completos e definidos e podem ser de um em um ou a cada três.

  • Orduna, T., et al. GUÍA DE PREVENCIÓN, DIAGNÓSTICO, TRATAMIENTO Y VIGILANCIA EPIDEMIOLÓGICA DE LOS ENVENENAMIENTOS OFIDICOS. 2007; (Aprobada por Resolución 34/2007: “Apruébase la Guía de prevención, diagnóstico, tratamiento y vigilancia epidemiológica de los envenenamientos ofídicos e incorpórase la misma al Programa Nacional de Garantía de Calidad de la Atención Médica”):48. [Online]. Disponible en: http://www.msal.gob.ar/images/stories/bes/graficos/0000000802cnt-2012-07-11_anim-ponzoniosos-guia-ofidismo.pdf
  • ITIS Standard Report Page: Bothrops alternatus [Internet]. [citado 19 de julio de 2019]. Disponible en: https://www.itis.gov/servlet/SingleRpt/SingleRpt?search_topic=TSN&search_value=634851#null
  • The IUCN Red List of Threatened Species [Internet]. IUCN Red List of Threatened Species. [citado 19 de julio de 2019]. Disponible en: https://www.iucnredlist.org/search?query=Bothrops%20&searchType=species