A vaquita: à beira da extinção

21 Novembro, 2020
A vaquita é uma espécie criticamente ameaçada de extinção. Atualmente, há um pequeno número de sobreviventes que formam a base de qualquer recuperação futura.

A vaquita (Phocoena sinus) é uma das seis espécies de cetáceos dentados (marsuínos) que compõem a família dos focenídeos. São o grupo de cetáceos de menor tamanho e, dessa forma, na fase adulta, a vaquita não ultrapassa 150 centímetros e 50 quilos.

Em termos de habitat, essa espécie tem uma distribuição extremamente restrita, pois só é encontrada na Reserva do Alto Golfo da Califórnia, no México. Sazonalmente, as águas desse golfo variam amplamente em temperatura: de 14 a 36 graus Celsius de janeiro a agosto.

Assim, a vaquita se destaca por sua importante adaptação para tolerar grandes oscilações anuais de temperatura. A maioria dos focenídeos está restrita a viver em águas frias, a menos de 20 graus centígrados.

Como identificar a vaquita?

Uma característica dessa espécie é a aparência marcante dos lábios. Além disso, a parte superior do corpo é cinza-escuro, enquanto o ventre é quase branco ou cinza-claro. As barbatanas são proporcionalmente maiores do que em outros marsuínos.

Quanto ao perfil do rosto, ele é obtuso em muitos aspectos. A vaquita se assemelha à toninha-comum, Phocoena phocoena, porém a primeira é mais esbelta.

Isso pode ser explicado em relação ao seu habitat mais quente: o corpo esguio aumenta a relação superfície/volume, favorecendo a dissipação do calor. Nessa espécie, esse argumento também foi usado para explicar a existência de apêndices maiores.

O Golfo da Califórnia é habitado pelo altamente cobiçado peixe totoaba (Totoaba macdonaldi). Infelizmente, a vaquita e o totoaba são semelhantes em tamanho e forma e, por isso, geralmente são confundidos. Ambas as espécies estão em risco de extinção.

A vaquita: à beira da extinção

Comportamento das vaquitas

Essa espécie enigmática é muito tímida e não é comum vê-la saltar como os golfinhos na superfície do mar, pois somente emerge por alguns segundos para respirar. A vaquita é conhecida por viver em áreas rasas, ou seja, a menos de 50 metros.

Quanto aos seus hábitos alimentares, sua dieta consiste em uma variedade de peixes teleósteos e lulas, que são encontrados próximos à superfície da água. Embora alguns estudos a relatem como solitária, ela foi observada em pequenos grupos de até 8 a 10 indivíduos.

Assim como muitos outros focenídeos, a vaquita usa o sonar como meio de comunicação e navegação por seu habitat.

As vaquitas à beira da extinção

De acordo com o registro da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), essa espécie está classificada como “em perigo crítico” (CR).

De fato, a vaquita é o cetáceo em maior perigo: em 2017, foram contabilizados apenas 18 indivíduos maduros e, portanto, ver um exemplar vivo dessa espécie é quase impossível.

Muitas vezes, as vaquitas são capturadas em redes de pesca destinadas a outros animais marinhos. Por exemplo, em redes para camarões ou para o totoaba. De fato, a mortalidade nas redes tem sido reconhecida como a ameaça mais grave e imediata à sobrevivência desse animal.

Outras ameaças potenciais que foram sugeridas incluem a depressão por endogamia, a exposição a pesticidas e as mudanças ecológicas como resultado da redução do fluxo do rio Colorado.

O que se sabe sobre a reprodução da vaquita?

A reprodução da vaquita é sincrônica, por isso, os nascimentos ocorrem do final de fevereiro até o início de abril. Além disso, acredita-se que a maturidade sexual seja atingida entre os três e os seis anos de idade.

Também se sabe que essa espécie não é monogâmica, pois os machos acasalam com o maior número possível de fêmeas. Além disso, as fêmeas têm apenas um filhote por gestação e a amamentação dura menos de um ano. As vaquitas podem ter ciclos reprodutivos de dois ou mais anos.

A vaquita: à beira da extinção

Existe esperança?

A capacidade de recuperação de uma pequena população, após um declínio severo, é fortemente influenciada por sua biologia reprodutiva.

Infelizmente, pouco se sabe sobre muitos dos parâmetros reprodutivos importantes dessa espécie. De qualquer forma, a vaquita ainda tem um foco de esperança enquanto um número suficiente de espécimes ainda estiver vivo.